Quinta-feira, Abril 23, 2009
Quarta-feira, Abril 22, 2009
Quinta-feira, Dezembro 18, 2008
Vidas Sem Teto
Um panorama sobre as lutas travadas no centro da cidade, que tem como ator direto, os movimentos de sem teto que atuam no centro, reivindicando cada espaço ocioso. Uma perspectiva geral de uma cidade que se é impossível admitir a inexistência de espaço, que vista pelo alto, é perceptível a mentira.
Vidas Sem Teto é, além de minha declaração de guerra, é um levante imagético insurrecional frente a um conflito até então, desigual. Visando mostrar uma relação necessária da e com a cidade. relação esta firmada por cada pessoa fotografada em variadas situações, desde o momento da tomada de um prédio, seu cotidiano com a limpeza do prédio, o dia a dia, as crianças e suas brincadeiras displicentes, à intransigencia de proprietarios e Estado com os despejos forçados, e ainda, termina com uma foto sigmificativa pra mim, que resume e apresenta o que eu defendo como motivador de meu interesse por esta questao. Foto que eu chamo de RESISTENCIA, pois vejo pessoas forte que nao esperam esmolas, mas que seguem adiante, com suas vidas e brigam para alcançar o que se convencionou chamar de "dignidade"

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
Quarta-feira, Dezembro 03, 2008
Processos de desapropriaçoes e deficit habitacional seguem a todo vapor no centro de Sao Paulo
O prédio é vizinho do edificio Sao Vito, o "Treme-treme" do paqrque Dom Pedro, proximo ao Mercado Municipal, que sera demolido e dar lugar a uma praça.
Com isso, a prefeitura de Sao Paulo, contribui para o aumento do deficit habitacional na cidade, fazendo com que mais pessoas vivam nas ruas, em favelas ou colaborando com a especulaçao imobiliaria e a exploraçao de cortiços e pensoes no centro, pessoas desabrigadas, dormem debaixo de marquizes dos proprios edificios desapropriados.
Os edificios Sao Vito e Mercurio, ficam na avenida do Estado. Ao lado, ha um outro prédio que encontra-se desabitado ha anos. Ha relatos de que este outro prédio sofreu duas tentativas de açoes de movimentos de moradia, que resultaram em confronto com a PM.
Os moradores do Mercurio, entre inquilinos e proprietarios estao recebendo indenizaçoes para deixarem o local (inquilinos, entre R$2.400,00 e R$4.000,00 e os proprietarios, entre R$20.ooo,00 e R$30.000,00). Resumindo, a prefeitura segue com seu projeto de revitalizaçao, ao seu modo (contraditorio, num processo em que a cidade vem tomando proporçoes ainda mais mostruosas, no aspecto populacional), oferecendo o que os movimentos por moradia chamam de "vale despejo" que mal asegura aos desabrigados, tres meses de aluguel.
A foto de um grafite com estilingue e uma porta emparedada, nos oferece uma boa alternativa!
Segunda-feira, Novembro 24, 2008
Sao Paulo, uma das maiores cidades do Mundo. Uma das mais conflituosas em todos os aspectos, em especial nas questoes habitacionais.Enquanto nas periferias, milhares de pessoas se aglomeram em favelas, o centro da cidade cada vez mais vem sendo abandonado e sofrendo forte influencia do setor imobiliario com especulaçao imobiliaria, higienizaçao e gentrificaçao, em nome do que eles interpretam como revitalizaçao do centro. Revitalizar, sugere, em todas instancias, dar vida novamente e nesse aspecto, a cidade, em particular a regiao central, sofre é um outro tipo de intervençao.
Nao sao raras as denuncias feitas por familias organizadas em movimentos de moradia ou pessoas sem teto que vivem nas ruas, de açoes praticadas por policiais militares e guardas civis metropolitanos que agem durante a madrugada, de forma violenta. Pouco mais de um mes, segundo denuncias de pessoas que vivem na regiao do Largo Sao Francisco, um grupo formado por policiais militares, GCM's, agentes de limpeza, realizaram uma operaçao na regiao, para expulsar as pesssoas que dormiam ali, de forma assustadora.
Segundo uma das pessoas que estavam no local, toda a iluminaçao publica se apagou e em menos de cinco minutos a regiao estava cercada por viaturas da PM e da GCM, iluminando com seus farois e giroflex, a regiao e em seguida, partiram em direçao ao moradores de rua, com spray de pimenta e cacetetes, dizendo que era para eles "cairem fora!"
Sao Paulo é uma das cidades mais contrastantes, conflituosas e so é assim, em grande parte, por falta de politicas publicas que permita uma transformaçao na sua dinamica.
E possivel reverter a situaçao? E possivel fazer do centro da cidade algo que caiba em seu significado original que reza "abrigar pessoas"? Ou Sao Paulo inverteu o significado para cidade?
Mais uma vez afirmo que, Vidas Sem Teto é um potencializador dessa maxima que apresenta soluçoes para a transformaçao do centro da cidade em algo que seja digno de se chamar CIDADE, de forma digna ao contrario de todas as açoes praticadas pelo Estado que foi exatamente no caminho contrario ao que pode-se chamar de humanizar o centro. Praticamente todas as ocupaçoes simbolicas na luta por moradia e reforma urbana, foram "implodidas" de forma de forma taxativa, sem a minima possibilidade de permanencia na regiao central das pessoas que nestes prédios tomados, tinham como, nao apenas bandeira de luta, mas como realidade, pois trabalhavam no centro, seus filhos estudavam no centro, além de toda infra estrutura que permitia a estas familias terem uma minina noçao de dignidade, como ja citado, escola, alem de hospital, centros culturais, transporte.
Mas os planos para o centro sao outros, como sao outros os planos daqueles e daquelas que estao na linha de frente da luta por moradia e da transformaçao da realidade metropolitana.
Domingo, Julho 20, 2008
Sexta-feira, Maio 23, 2008
Ocupaçao Afonso Maia MMRC
Moradores da Ocupaçao Afonso Maia realizaram manifestaçao nas ruas do centro para exigir da prefeitura o atendimento em seus programas habitacionais. Algumas familias, vieram de outras ocupaçoes, como a da rua Plinio Ramos, desalojada em agosto de 2005, que nao foram atendidas
Terça-feira, Janeiro 08, 2008
Interesso-me pelas questões de conflitos urbanos por encontrar neste ambiente, uma evidencia maior das condições contrastantes em que nos encontramos diante da modernização e de se viver em cidades, em especial em metrópoles.
Não trata-se de um discurso conservador anti modernização, trata-se de uma discussão referente aos paradigmas enfrentados pelas circunstancias "oferecidas" e enfrentadas não apenas para aqueles/as que vivem em condições consideradas "subumanas", mas para todas as pessoas que circulam, produzem, vivem nesse meio, logo, nessa condição conflitante, conflituosa, frenética e sem nexo.
Não busco resolver problema algum, não tenho a pretensão de discorrer acerca da questão com um discurso antropológico ou sociológico tampouco buscar uma resolução imediata para a questão habitacional na cidade de São Paulo, mas sim, apresentar uma discussão acerca do problema, na forma de fotografia por ser uma expressão que me interessa e ser a forma como eu me relaciono com o mundo em que vivo e interajo, tanto com ele mesmo quanto com a fotografia.
O debruçar-me e ocupar -me da questão dos conflitos urbanos, em particular a questão sem teto, não é necessariamente por ele em si, mas sim da relação do sujeito com o mundo, as relações de poder que de certa maneira implica numa discussão sociológica por tratar-se das questões de formação e consolidação da civilização, como ela se da no processo de construção da historia, mas buscando uma significação e identificação no âmbito da moral, pois é onde se forma toda a conduta ética que conduz a civilização, com seus beneficios e seus agravantes em relação às formas como se dão as interações, as interpessoalidades e estas nas questões politicas e de poder.
Se o caminho desta reflexão nos remeta às questões sociológicas e antropológicas, é um mero caminho condicionado pela academização das relações humanas que nos apresenta e impõe uma única forma de observar e interagir no mundo em que vivemos, onde “tudo” parece partir da ótica acadêmica e, que morre nela mesma.
Também não posso dizer que minha relação com a questão em si seja meramente artística, pois não trata-se de uma estética da miséria ou coisa parecida. Pretensiosamente, busco uma reflexão mais voltada para a filosofia, buscando compreensão acerca das questões que norteiam o pensamento humano e as relações humanas em meio aos acontecimentos, buscando uma base de apoio na formação da civilização e na construção histórica pra tentar identificar, ou mesmo apontar os erros cometidos do decorrer de nossa historia, na formação de nossa cultura e na consolidação da civilização nomenclaturada moderna.
Na minha compreensão, a fotografia permite-me esta reflexão, pois não estamos na paz que se propagandeia! Estamos diante de um conflito eminente onde as relações de poder se consolidam de forma avassaladora sobre determinadas camadas sociais apresentadas como fragilizadas por uma propaganda que as impõe uma condição de subserviência frente ao poder e à condição em que encontram-se, criando conceitos e comportamentos que fazem com que elas apresentem-se exatamente desta maneira: uma vítima.
"Vidas Sem Teto- A Arquitetura da Exclusão", pretende ser um desmoronador de paradigmas sociais e não simplesmente “desconstrutor”, mas numa perspectiva nietzschiana, que nos propõe filosofar com o martelo, busco fazer o mesmo com a fotografia, fazer algo duro, seco, sem vitimas indefesas e inocentes, pois pra mim, essas pessoas jamais apresentaram-se como vítimas indefesas. Por isso elas lutam!
Transcrever a filosofia nietzschiana para a fotografia é tao complicado quanto a própria filosofia do autor. Porem, é impossível recusar a tentação de se buscar algo nesse sentido.
Anderson Barbosa




















